quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quanto custa salvar a Amazônia
17 bilhões de reais ao ano, pouco mais que o valor do Bolsa Família. Esse é o cálculo da consultoria McKinsey, em estudo que aponta formas de reduzir pela metade a emissão de carbono no país

Poucos debates no Brasil são tão controversos, erráticos e destituídos de objetividade quanto o da conservação da Amazônia. As matas ardem ao ritmo de 500 quilômetros quadrados a cada mês. Mas o país não consegue formular um plano factível que contenha o avanço da exploração predatória e, ao mesmo tempo, permita o desenvolvimento sustentável da região, uma área equivalente à metade do território brasileiro. Preservar a maior floresta do planeta, contudo, é uma meta perfeitamente alcançável, de acordo com um estudo minucioso que acaba de ser concluído por uma das mais respeitadas consultorias do mundo, a McKinsey. O trabalho estima em 17 bilhões de reais ao ano o volume de investimentos necessário para preservar a floresta ao longo de duas décadas. Tais recursos não são extravagantes: representam pouco mais de 1% dos impostos arrecadados no Brasil; ou que o gasto anual com o Bolsa Família, de 12 bilhões de reais; ou a metade do déficit nas contas da Previdência em 2008.


McKinsey chegou a esse cálculo dentro de um estudo mais amplo, sobre as oportunidades e os custos de reduzir, no Brasil, as emissões dos gases que provocam o efeito estufa, a principal causa do aquecimento global. A consultoria fez a mesma investigação em outras vinte regiões, abrangendo todo o globo, na mais detalhada iniciativa sobre o assunto. As queimadas na Amazônia significam mais da metade dos 2,1 bilhões de toneladas de CO2 que o Brasil lança na atmosfera a cada ano, deixando o país num constrangedor posto de quarto maior emissor do planeta – atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Indonésia. Conter a devastação da floresta, portanto, é a maior contribuição que o país poderia dar no combate ao aquecimento global. Os consultores definiram propostas específicas para cada uma das atividades exploratórias. "O desafio para a Amazônia não está simplesmente em deter o desmatamento. É preciso incentivar o desenvolvimento de atividades formais, para dar emprego àqueles que hoje vivem da exploração predatória e também elevar o padrão de vida dos 25 milhões de pessoas que habitam a região", afirma Stefan Matzinger, diretor da McKinsey e coordenador do trabalho. O estudo "Uma economia de baixas emissões de carbono para o Brasil" será apresentado na quinta-feira 12 no ciclo de debates do Planeta Sustentável, promovido pela Editora Abril. Depois, estará disponível gratuitamente no site da consultoria.


No plano de cinco frentes de atuação proposto pela McKinsey, os dois requisitos essenciais são regularizar as propriedades rurais e aprimorar a vigilância (veja quadro). Hoje, menos de 10% das terras têm posse definida. O Brasil possui hoje 3 600 guardas florestais. Precisaria chegar ao menos a 10 000, seguindo parâmetros internacionais. Ainda que a preservação da Amazônia seja o foco do trabalho da McKinsey, o estudo apresenta também a análise de como o Brasil poderá reduzir a emissão de gases do efeito estufa em outras atividades econômicas. Um exemplo disso é a agropecuária. O maior problema aqui é o metano emitido pelo rebanho bovino. Produzido por bactérias que participam do processo digestivo do gado, o metano, ao ser liberado na atmosfera, é vinte vezes mais poderoso que o CO2 no acirramento do efeito estufa. A solução, aponta a McKinsey, seria reduzir o ciclo de vida do gado, elevando a produtividade, e incentivar o uso de medicamentos especiais.

Ao todo, a consultoria define com clareza 200 oportunidades para o Brasil reduzir a emissão desses gases nos mais relevantes setores econômicos – e aponta o custo de cada uma delas. Se todas forem adotadas, calcula o estudo da McKinsey, o país diminuirá em mais da metade o seu nível atual de emissões. Trata-se de uma contribuição valiosa.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pense e repense:


Dando uma olhada numa apostila sobre atualidades que tenho em casa, encontrei um trecho que diz o seguinte:


"Quanto mais o ser humano se organiza, tornando suas sociedades mais complexas e competitivas, a degradação ambiental aumentava na mesma proporção."




Não queria ser catastrófico, mas acho que a boiada tá indo pro brejo...rs. Reflitam bem no conteúdo deste trecho... abraços




quarta-feira, 15 de abril de 2009

Começando

Boa noite,
Acho que essa seria a primeira verdadeira postagem feita nesse blog neh?
PORQUE A ANTERIOR FOI SÓ UM "ENCHE LINGUIÇA" rsrs
Afinal vocês devem estar se perguntando:
- Porque uma pessoa "do nada" resolve fazer um blog sobre meio ambiente??????
Bom a melhor resposta sobre isso é que percebi que meio ambiente não é apenas mico- leão- dourado em extinção ou muito menos plantar um árvore no jardim e pronto, fiz a minha parte!!!
Após perceber a gravidade dos fatos como poluição, água, efeito estufa e etc, resolvi começar a fazer o Curso de Técnico Ambiental em Jaboticabal no SENAC e o nossos primeiro projeto seria fazer um blog sobre MEIO AMBIENTE, portanto eu (Anne) e meu parceiro de aula (Otto) estamos aqui para passar não só informações mas criar um ciclo de debates , indignações, opiniões, dicas e até desabafo se precisar hahahaha ,claro, sobre Meio Ambiente.
A cada dia um de nos ira postar, hj a responsa está em minhas mãos =D

Bom vamos começar neh ....


Abaixo um vídeo de conscientização do que está acontecendo hoje....

E ai vai ficar parado?

Até qndo você vai continuar destruindo o meio ambiente? até o mundo acabar?

Ta esperando o que?

Por Anne Caroline

Beijos

terça-feira, 14 de abril de 2009

ESVERDEANDO...


Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.